III Semana dos Povos Indígenas começa nesta quinta (16) com destaque para ancestralidade e políticas públicas
Evento no Parque da Cidade reúne mais de 600 lideranças para debates estratégicos, ações de cidadania e programação cultural com a presença de Isabelle Nogueira
Fotos: Marcelo Lelis, Wellyngton Coelho, Rodrigo Pinheiro - Agência Pará. Sob o lema “Onde a ancestralidade vira decisão”, Belém sedia, entre os dias 16 e 19 de abril, a III Semana dos Povos Indígenas, uma realização da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi) e da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa). O evento, que ocorre no Parque da Cidade, consolida-se como o maior encontro da região Norte, ao reunir mais de 600 lideranças de diversos territórios para debater políticas públicas, gestão territorial e o fortalecimento de direitos garantidos.
A programação tem como objetivo constituir um espaço estratégico de diálogo, construção coletiva e fortalecimento de políticas públicas, integrando dimensões políticas, culturais, sociais e econômicas. O evento contará com a presença de autoridades estaduais e nacionais, incluindo representantes do governo do Estado e de órgãos federais, como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério dos Povos Indígenas.

Ao longo dos quatro dias, a Semana será marcada por debates estratégicos, seminários e encontros institucionais, com destaque para o seminário da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), que visa fortalecer o protagonismo indígena na gestão de seus territórios.
Uma ampla agenda de ações de cidadania voltadas aos povos indígenas também está prevista, com serviços como emissão de documentos (RG, CPF, certidão de nascimento), regularização de cadastro em programas sociais, atendimento jurídico e social.
A influenciadora Isabelle Nogueira, dançarina e ex-participante do reality Big Brother Brasil será uma das convidadas do evento, ampliando o alcance dos debates junto a diferentes públicos.
Outro destaque é o espaço recreativo dedicado às crianças, com atividades educativas e de lazer ao longo de todo o evento, promovendo integração e valorização cultural desde a infância. A Semana também contará com atividades esportivas interculturais, reunindo diferentes povos indígenas em modalidades como futebol, futsal, vôlei e cabo de força.

Cultura, formação e economia ancestral em destaque
No campo da formação e da comunicação, serão realizadas oficinas temáticas, incluindo comunicação indígena e capacitação para artesãos, além de rodas de conversa sobre temas como educação, governança hídrica e a realidade de indígenas em contexto urbano.
A valorização da cultura e da economia indígena estará presente nas feiras de etnobioeconomia ancestral e gastronomia, que irão expor e comercializar produtos tradicionais, fortalecendo cadeias produtivas e saberes ancestrais.
A programação cultural contará com apresentações, como a do Arraial do Pavulagem, com o Cortejo pela Ancestralidade Viva. O evento também será marcado por importantes avanços institucionais, como a posse do Conselho Estadual de Política Indigenista (Consepi) e a realização de entregas governamentais, reafirmando o compromisso com o fortalecimento das políticas públicas voltadas aos povos indígenas.
A iniciativa reforça o papel do governo do Pará, por intermédio da Sepi, criada em 2023, na construção de políticas públicas comprometidas com a garantia de direitos e com o reconhecimento da diversidade dos povos indígenas no estado.


PROGRAMAÇÃO
Ao longo da programação, oficinas e encontros também fortalecem o intercâmbio de saberes, como a oficina de comunicação indígena “Pelas lentes da ancestralidade” e o Encontro de Defensores e Defensoras Indígenas da Bacia do Tapajós, voltado à governança hídrica.
Na quinta-feira (16), com acolhimento das delegações indígenas, atendimentos sociais e a abertura institucional. Um dos principais destaques desta edição é o Seminário da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), realizado pelo Governo Federal, pelo MPI, que ocorre ao longo dos dois primeiros dias do evento. A iniciativa promove oficinas de planejamento, avaliação e fortalecimento da gestão ambiental e territorial em nível regional, além de reforçar o protagonismo indígena nas decisões sobre seus territórios.
Na sexta-feira (17), a programação ganha novos espaços com a abertura da Feira de Etnobioeconomia Ancestral e da Feira de Gastronomia, que seguem até o encerramento do evento, reunindo produtos, saberes e práticas tradicionais. O dia também conta com rodas de conversa, como a realizada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que aborda a realidade de indígenas refugiados em contexto urbano, e a mesa da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), dedicada à educação escolar indígena.
O sábado (18), reforça o caráter formativo e de integração intercultural, com a continuidade das feiras, oficinas e encontros, além da reunião preparatória da oficina sobre o Sistema Jurisdicional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (SJREDD+), voltada à capacitação de lideranças indígenas. As seletivas dos jogos indígenas movimentam o dia com competições em modalidades como futebol, futsal, vôlei e cabo de força, promovendo integração entre diferentes povos. A programação também inclui roda de conversa com artistas e o desfile de moda ancestral.
No domingo (19), último dia do evento, acontecem as finais dos jogos indígenas e a continuidade das atividades formativas e das feiras. O encerramento institucional reúne entregas importantes, como o Plano de Consulta do Sistema Jurisdicional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (SJREDD+), a posse dos conselheiros do Conselho Estadual de Política Indigenista (Consepi), o lançamento de ações de leitura da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e a assinatura de acordos institucionais.

Programação cultural celebra identidade amazônida
A programação cultural, incluindo apresentações indígenas, ocorre em todos os dias do evento, das 19 às 22h, e reafirma o protagonismo dos povos indígenas por meio da arte, da música e das expressões tradicionais. No dia 16 de abril, o público acompanha os shows de Cássio Costa e Parananin. No dia 17, a programação segue com Pinduca, ícone da música paraense.
No dia 18, o destaque é o desfile de moda ancestral assinado pelo estilista Maurício Duarte, seguido de apresentações do DJ Éric Terena e da banda 100 Limites. O encerramento, no dia 19 de abril, será marcado pelo Arraial do Pavulagem, com o tema “Cortejo pela ancestralidade viva”. O espetáculo irá levar o cortejo com participação dos povos originários pelo Parque da Cidade, além da apresentação do grupo no palco, unindo música, dança e identidade amazônica.









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