Lula defende criação de reserva estratégica de combustíveis
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações da Regap, no Distrito Industrial Paulo Camilo Sul. Foto: Ricardo Stuckert/PR BETIM (MG) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta sexta-feira (20), que o Brasil deve estruturar uma reserva estratégica de combustíveis. A proposta visa proteger o mercado interno contra a volatilidade de preços e garantir o abastecimento nacional em cenários de instabilidade geopolítica internacional, como os conflitos no Oriente Médio.
A declaração ocorreu durante o anúncio de investimentos na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Segundo o presidente, a orientação já foi transmitida à presidente da Petrobras, Magda Chambriard. "Isso não é uma coisa rápida, é uma coisa que leva tempo, mas é uma coisa estratégica que a Petrobras e o governo têm que pensar", afirmou Lula.
Atualmente, o Brasil não possui estoques reguladores de petróleo, contando apenas com estoques operacionais para o giro logístico entre refinarias e postos. Um dos pontos críticos destacados é a dependência externa: o país ainda precisa importar cerca de 30% do diesel consumido.
Lula alertou para os riscos de bloqueios no Estreito de Ormuz, via por onde passa grande parte do petróleo mundial. "Nós precisamos construir um estoque regulador para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje", reforçou, citando que potências como Estados Unidos, China e Rússia mantêm reservas para períodos de crise.
Comparação com reservas cambiais
Para justificar o investimento, que é considerado de alto custo, o presidente comparou a iniciativa às reservas brasileiras em moeda estrangeira, que somavam US$ 364,4 bilhões em janeiro deste ano. Para o mandatário, assim como o dólar garante a estabilidade financeira contra crises globais, o estoque de combustível garantiria a soberania energética.
Investimentos na refinaria Gabriel Passos (Regap)
A defesa da reserva estratégica acompanhou o anúncio de um aporte de R$ 9 bilhões na Regap. A unidade, que operava com 60% de sua capacidade no governo anterior, hoje trabalha com 98%.
Os investimentos serão divididos em fases:
Até 2027: R$ 3,8 bilhões para elevar a produção de 170 mil para 200 mil barris por dia.
Próximos 5 anos: R$ 5,2 bilhões adicionais para atingir a marca de 240 mil barris diários.
Além da expansão produtiva, foi inaugurada uma usina fotovoltaica na refinaria, visando reduzir em 20% os gastos com energia e avançar na agenda de descarbonização da Petrobras.





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