Amazonense Milton Hatoum toma posse na Academia Brasileira de Letras e celebra as raízes amazônicas
Escritor manauara assume a Cadeira nº 6, sucedendo o jornalista Cícero Sandroni
Consagração: Milton Hatoum recebe o diploma e o colar de imortal da ABL na noite de 24 de abril de 2026. A Academia Brasileira de Letras (ABL) viveu uma noite de consagração e resgate regional nesta sexta-feira, 24 de abril de 2026. O escritor Milton Hatoum, um dos maiores romancistas vivos do país, tomou posse como o novo ocupante da Cadeira nº 6, tornando-se o primeiro amazonense a ingressar no quadro de "imortais" da instituição em mais de um século. A solenidade, realizada no Petit Trianon, no Rio de Janeiro, reuniu o prestigiado corpo acadêmico para saudar o autor de obras fundamentais como "Dois Irmãos" e "Relato de um Certo Oriente".
Hatoum foi eleito em agosto de 2025 com 33 dos 34 votos possíveis, demonstrando uma aceitação quase unânime entre seus pares. Ele sucede o jornalista e escritor Cícero Sandroni, falecido em junho de 2025. A Cadeira nº 6, que tem como patrono o poeta Casimiro de Abreu, já foi ocupada por nomes de peso da história intelectual brasileira, como Barbosa Lima Sobrinho e Raymundo Faoro.
Recebido pela acadêmica Ana Maria Machado, Hatoum proferiu um discurso carregado de lirismo e reflexão sobre o ofício da escrita. O autor manauara escreve seus originais à mão como um traço de sua origem.

“O escritor defendeu o gênero do romance como uma ferramenta de sobrevivência diante de um "mundo em chamas", reforçando que, enquanto houver vidas, haverá histórias a serem narradas. Sua fala também abordou temas caros à sua obra, como a imigração, a ditadura militar e as desigualdades sociais brasileiras, mantendo a voz ética e cidadã que o consagrou.”
Representatividade do Norte na ABL
A chegada de Milton Hatoum à ABL é vista como um marco de descentralização cultural. Em um momento de protagonismo global da Amazônia, ter um autor manauara ocupando um assento na "Casa de Machado de Assis" garante que as narrativas do Norte ocupem o centro do debate literário nacional.
A Rede Metrópole celebra este momento histórico. Milton Hatoum não ocupa apenas uma cadeira; ele leva para a Academia o eco dos rios, a complexidade das cidades amazônicas e a sofisticação de uma prosa que orgulha o Pará, a Amazônia e todo o Brasil.
ASSISTA COMO FOI A CERIMÔNIA DE POSSE NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS:











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