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Pais estão mais informados ou mais ansiosos com a avalanche de conteúdos sobre desenvolvimento infantil?

Pesquisa mostra que quase 80% dos adolescentes brasileiros passam mais de três horas por dia conectados; especialistas alertam para o risco de transformar redes sociais em ferramenta de “diagnóstico” do desenvolvimento


Pais estão mais informados ou mais ansiosos com a avalanche de conteúdos sobre desenvolvimento infantil?
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A internet mudou a maneira como pais procuram informações sobre saúde e desenvolvimento dos filhos. Diante de um atraso na fala, uma dificuldade escolar, uma criança que não tolera determinadas texturas ou apresenta comportamentos diferentes dos colegas, é cada vez mais comum recorrer às redes sociais em busca de respostas. O problema começa quando a informação deixa de ser ponto de partida e passa a funcionar como diagnóstico.

O alerta ganha força diante de novos dados sobre a relação dos jovens brasileiros com o ambiente digital. A pesquisa “Adolescência Sem Filtro”, divulgada pelo Instituto Alana em 12 de agosto, ouviu 505 adolescentes de 13 a 17 anos e mostrou que quase 80% passam mais de três horas por dia conectados, enquanto 15% permanecem online por mais de oito horas. Metade dos entrevistados afirma passar mais tempo na internet do que gostaria. Entre os impactos negativos percebidos pelos próprios adolescentes estão a piora da qualidade do sono e do tempo dedicado aos estudos, além de preocupação com dependência de celular e internet. 

Nesse cenário, conteúdos sobre autismo, TDAH, atraso de fala, dificuldades de aprendizagem e questões sensoriais encontram um público especialmente interessado: pais que querem entender rapidamente o comportamento dos filhos.

Para a fonoaudióloga Paula Anderle, a informação disponível nas redes pode ser positiva, mas não substitui uma avaliação individual. “Uma criança que fala menos do que os colegas pode ter diferentes motivos para isso. O conteúdo de um vídeo pode ajudar uma família a perceber que determinada questão merece atenção, mas não consegue explicar o que está acontecendo especificamente com aquela criança”, afirma.

A terapeuta ocupacional Catiuscia Homem faz alerta semelhante em relação às características sensoriais e à autonomia. “Nem todo comportamento sensorial significa autismo e nem toda dificuldade para realizar uma atividade cotidiana representa um transtorno. Precisamos olhar para a frequência, o contexto, o impacto funcional e, principalmente, para a criança como um todo”, explica.

Na área educacional, a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi observa fenômeno semelhante. “Uma dificuldade de concentração, organização ou aprendizagem pode ter diferentes causas. O risco de buscar respostas prontas é transformar um comportamento em um rótulo sem compreender o que existe por trás dele”, afirma.

As especialistas defendem que as redes sociais podem funcionar como porta de entrada para a informação, mas não como substitutas da avaliação profissional.

Cinco perguntas antes de concluir que há um transtorno

  • Esse comportamento é persistente ou acontece ocasionalmente?

  • Ele aparece em diferentes ambientes?

  • Está causando prejuízo real à rotina da criança?

  • Existem outras habilidades preservadas que precisam ser consideradas?

  • O conteúdo visto na internet apresenta evidências ou apenas relatos e promessas?

A proposta, segundo as especialistas, não é afastar os pais das redes, mas ajudá-los a utilizá-las de forma mais crítica. “A informação deve despertar uma pergunta, não entregar um diagnóstico pronto”, resume Paula.

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