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Deputada Lívia Duarte e ex-prefeito Edmilson Rodrigues lamentam morte de Zélia Amador de Deus

Projeto de lei de autoria da parlamentar que declara a produção intelectual e artística de Zélia como patrimônio cultural e imaterial do Pará estava na pauta da Alepa nesta terça-feira (8).

Projeto de Lei de Reconhecimento de Patrimônio Cultural e Imaterial
Deputada Lívia Duarte e ex-prefeito Edmilson Rodrigues lamentam morte de Zélia Amador de Deus A proposta reconhece a obra artística, intelectual e ativista de Zélia Amador de Deus como patrimônio cultural imaterial do Pará.
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BELÉM — A morte da professora, pesquisadora e ativista Zélia Amador de Deus, ocorrida nesta terça-feira (8), em Belém, gerou intensa repercussão e manifestações de pesar nos meios político, acadêmico e cultural. Reconhecida como uma das mais expressivas lideranças na defesa dos direitos humanos e no combate ao racismo no país, a intelectual marajoara faleceu aos 74 anos.

Entre os posicionamentos públicos, a deputada estadual Lívia Duarte manifestou profundo pesar pelo falecimento da professora. A parlamentar acompanhou presencialmente a sessão da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) nesta terça-feira (8), data em que estava pautado o Projeto de Lei de sua autoria que reconhece a obra artística e intelectual de Zélia como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Pará.

A deliberação da matéria, no entanto, precisou ser adiada em função da ausência de quórum regimental para a condução das votações no plenário. Lívia Duarte reiterou o compromisso de manter a proposta em pauta nas próximas sessões para que, após a aprovação da Assembleia, o texto siga para a sanção da governadora do estado.

O ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, também prestou homenagem nas redes sociais, publicando um texto acompanhado de registro fotográfico ao lado da ativista. Em sua declaração, Edmilson destacou a abrangência do pensamento de Zélia e relembrou a parceria histórica na concepção do Memorial dos Povos Negros, localizado no complexo do Ver-o-Rio, projeto arquitetônico desenvolvido por ele em conjunto com o arquiteto José Raiol.

"A partida de Zélia Amador de Deus, professora universitária e referência do movimento negro, nos deixa órfãos. Seu legado ultrapassou as fronteiras do Pará e do Brasil, tornando-a um ícone do pensamento científico da atualidade. Ao longo de sua trajetória, Zélia salvou vidas pela força de seus ideais que confrontaram o conformismo com a pobreza, o machismo e o racismo. Nossa querida amiga, fundadora do Centro de Defesa do Negro no Pará (Cedenpa), plantou pensamentos de dignidade e colheu o despertar de muitos para as injustiças sociais", declarou Edmilson Rodrigues.


Trajetória de lutas e legado acadêmico

Nascida no Marajó e filha de trabalhadora doméstica, Zélia construiu uma carreira acadêmica consolidada que a levou à condição de professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA). Foi cofundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM-UFPA), além de ter presidido a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros.

A ativista teve participação direta nas articulações pela implementação do sistema de cotas raciais no ensino superior brasileiro e integrou a comissão oficial do país durante a Conferência Mundial contra o Racismo da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Durban, na África do Sul, em 2001.

Zélia Amador realizava tratamento de saúde contra um câncer de mama. Na tarde desta terça-feira, apresentou um quadro de indisposição e foi levada a uma unidade hospitalar, onde faleceu. Até a publicação desta matéria, não haviam sido informados pela família os horários e locais do velório e do sepultamento.





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