Theatro da Paz apresenta releitura paraense de "La Serva Padrona" com protagonismo feminino
Montagem clássica de Giovanni Battista Pergolesi ganha arranjos de ritmos regionais e orquestra composta por 30 musicistas mulheres nos dias 30 e 31 de maio
A programação do XXV Festival de Ópera do Theatro da Paz avança no próximo fim de semana com a exibição do espetáculo "La Serva Padrona: uma releitura paraense" , obra original do compositor italiano Giovanni Battista Pergolesi. As récitas ocorrem nos dias 30 e 31 de maio (sábado e domingo), às 20h, no palco do centenário teatro em Belém. O enredo cômico e leve acompanha a inteligente criada Serpina e o seu patrão, Uberto, um solteiro abastado e rabugento, numa dinâmica que aborda jogos de poder e manipulação. A récita de abertura terá transmissão ao vivo através do canal oficial da Secult Pará no YouTube.
A condução musical do espetáculo estará a cargo da Orquestra FILMA - Mulheres (Orquestra Filarmônica MultiArte da Amazônia), que conta com 31 instrumentistas. Destas, 30 mulheres assumem a sustentação da peça sob a regência da maestra Cibele Donza.
Protagonismo e inovação instrumental na Amazônia
A liderança de mulheres na estrutura técnica e instrumental foi apontada pela regente como um marco identitário para o festival. "Ter uma orquestra formada por mulheres dialoga diretamente com essa leitura da obra. Com exceção do alaúde, todos os instrumentos são tocados por mulheres: são 30 musicistas sustentando a estrutura sonora da ópera. Essa presença não é apenas um dado de ficha técnica. Em um festival histórico como o do Theatro da Paz, afirma protagonismo, amplia referências e abre possibilidades em um campo que, durante muito tempo, foi negado às mulheres" , declarou a maestra Cibele Donza.
A estrutura melódica da apresentação preservará rigorosamente os sopros contidos no manuscrito de Pergolesi, diferenciando-se de montagens tradicionais que priorizam orquestrações reduzidas apenas com cordas e cravo. O acréscimo do alaúde ao baixo contínuo resgata práticas comuns do período histórico da composição.

Fusão de gêneros e conexões regionais
Além dos traços clássicos e barrocos, a montagem incorpora referências sonoras urbanas e tradicionais do Pará para gerar identificação com a capital paraense.
"Ela conduz o público, desde o início, para essa Belém imaginada, teatral, elegante e ligeiramente perigosa, como toda boa comédia deve ser, mesclando o estilo original com algumas referências da música paraense (como brega e lundu)" , enfatizou Cibele Donza sobre o processo de territorialização da obra.
O festival estende-se ao longo do mês de junho com uma agenda que inclui o concerto da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz com a soprano Carmen Monarcha no dia 2 de junho, a ópera "Amazônia Motirô" nos dias 10 e 11, o recital "Deuses e Demônios" com Saulo Javan no dia 13, e o encerramento com o clássico "La Traviata" nos dias 21, 22 e 23 de junho. O público dispõe ainda de uma exposição comemorativa aos 25 anos do evento, sediada no Foyer do Theatro da Paz até o dia 23 de junho.
A realização do XXV Festival de Ópera do Theatro da Paz é do Governo do Estado do Pará, viabilizada por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), do Theatro da Paz e da Academia Paraense de Música.
Box de Serviço:
• Espetáculo: Ópera La Serva Padrona: uma releitura paraense – XXV Festival de Ópera do Theatro da Paz
• Datas: 30 e 31 de maio de 2026
• Horário: 20h
• Local: Theatro da Paz, Belém - Pará
• Ingressos: Disponíveis na bilheteria física do Theatro da Paz e pela plataforma digital Ticket Fácil (ticketfacil.com.br)
• Informações e contatos: (91) 3252-8603
• Transmissão digital: Canal do YouTube da Secult Pará (apenas na récita do dia 30 de maio)











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