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Contra a fumaça: cientistas paraenses criam sensor barato para vigiar a pureza do ar e ajudar a prever queimadas na Amazônia

​Desenvolvido dentro do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá), o dispositivo inteligente mede a poluição em tempo real e envia relatórios por Wi-Fi, tornando-se uma arma crucial para proteger a saúde pública e a floresta.


Contra a fumaça: cientistas paraenses criam sensor barato para vigiar a pureza do ar e ajudar a prever queimadas na Amazônia
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BELÉM (PA) — Uma tecnologia inovadora desenvolvida inteiramente no Pará promete se tornar uma das maiores aliadas das comunidades isoladas e da saúde pública no combate aos efeitos das queimadas na Amazônia. Pesquisadores locais criaram um sensor de baixo custo capaz de monitorar a qualidade do ar em tempo real. O aparelho foi projetado especificamente para ser uma solução acessível e fácil de instalar, enviando relatórios meteorológicos e de poluição de forma automática através de redes de internet sem fio (Wi-Fi).

​O grande diferencial do projeto é que ele nasceu dentro do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá), em Belém. Para quem não conhece, o PCT Guamá funciona como um grande "condomínio de inovação" criado para conectar universidades, cientistas e empresas. O objetivo do espaço é transformar pesquisas acadêmicas em produtos práticos que resolvam problemas reais da sociedade. Foi nesse ambiente estratégico que o Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, Automação e Eletrônica (Lasse), um laboratório vinculado à Universidade Federal do Pará (UFPA) e residente do parque, deu vida ao dispositivo.

​Tecnologia local a serviço da floresta

​O equipamento surpreende pela capacidade de capturar, ao mesmo tempo, múltiplos dados cruciais da atmosfera: a densidade de partículas de poeira ou fumaça suspensas no ar, a umidade relativa, a temperatura e a pressão atmosférica. Antes de ser apresentado oficialmente, o protótipo passou por uma bateria de testes rigorosos que duraram semanas, operando tanto na área interna do laboratório quanto exposto ao clima na área externa do próprio parque tecnológico.

​A criação do sensor atendeu a um edital do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), organização focada no desenvolvimento sustentável da região. A parceria para a prestação desse serviço especializado foi firmada por meio da Fundação Guamá, instituição responsável por gerenciar o PCT Guamá, sob a liderança dos pesquisadores Ilan Corrêa e Leonardo Ramalho.

​O desenvolvimento do aparelho também serviu como campo de aprendizado prático, envolvendo estudantes de graduação em Engenharia da Computação da UFPA e alunos de mestrado em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação. O esforço conjunto garantiu a entrega da solução mesmo em um prazo desafiador.

"O maior desafio foi o tempo curto para a execução do projeto. A importância desse produto é que ele permite o acompanhamento, em tempo real, da qualidade do ar, com baixo custo, inclusive em regiões remotas onde o monitoramento de queimadas é de interesse", enfatizou o pesquisador Leonardo Ramalho. Ele destacou que, por ser uma tecnologia desenvolvida localmente, o sistema oferece total flexibilidade para futuras atualizações ou para ser integrado a novos tipos de sensores e sistemas.

​De Belém para o Brasil

​O equipamento foi apresentado recentemente em Brasília e servirá para expandir a infraestrutura de medição ambiental no país, fornecendo dados essenciais para que as diretrizes previstas pela Política Nacional de Qualidade do Ar sejam cumpridas de forma mais abrangente, detalhada e barata em todo o território nacional.

​Para a administração do parque tecnológico, o sucesso do projeto reforça a importância de investir em pesquisa aplicada dentro do estado.

"Toda essa expertise está disponível no laboratório, tanto em termos de equipamentos quanto de equipe qualificada, não apenas para esse tipo de solução, mas também para outras demandas que envolvam o desenvolvimento de eletrônica embarcada. O arcabouço tecnológico desse sistema pode ser escalado para diferentes aplicações e demandas", sinalizou João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá.












​Instalado no PCT Guamá desde 2010, o Lasse é uma das grandes referências em inovação na Região Norte. Atuando em frentes como automação industrial, inteligência artificial e telecomunicações, o centro foca em criar projetos que solucionem gargalos históricos da região, como a conectividade em comunidades ribeirinhas isoladas e a agricultura de precisão.

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