Comidas típicas de arraiá: como aproveitar as delícias juninas com equilíbrio e sem culpa?
Canjica, milho, paçoca e pipoca seguem no centro das festas de São João; nutricionista explica como consumir sem excessos e empreendedora mostra como a tradição também pode ganhar novas versões
Derivados do milho e do amendoim registram alta expressiva de consumo e impulsionam o comércio varejista As tradicionais festas juninas estão entre as celebrações mais tradicionais do Brasil e, além das quadrilhas, bandeirinhas e músicas típicas, têm na gastronomia um dos seus principais atrativos. Canjica, milho cozido, curau, bolo de milho, paçoca, pé de moleque e pipoca fazem parte da memória afetiva de milhões de brasileiros e ganham destaque nos meses de junho e julho.
A força dessa tradição também pode ser observada no comportamento do consumidor. Levantamento da NielsenIQ mostrou que a canjica registrou crescimento de 337% nas vendas durante o período junino. Outros produtos tradicionalmente associados às festas também apresentaram aumento expressivo na procura, como farinha de milho (+96,2%), coco ralado (+86,9%), paçoca (+72,2%) e milho para pipoca (+40,4%).

Os números refletem não apenas a importância econômica da temporada, mas também o papel cultural dos alimentos típicos, especialmente daqueles derivados do milho, ingrediente que atravessa gerações e permanece como símbolo das comemorações juninas em diferentes regiões do país.
Ao mesmo tempo em que cresce o consumo dessas receitas tradicionais, também aumenta a preocupação de muitas pessoas em relação à alimentação durante o período. Afinal, é possível aproveitar as festas sem abrir mão dos cuidados com a saúde? Como equilibrar prazer e alimentação saudável em uma época marcada por doces, quitutes e preparações calóricas?

Na avaliação da nutricionista Bela Clerot, a discussão sobre comidas típicas das festas juninas costuma ser conduzida da maneira errada. Em vez de olhar para o contexto da alimentação, muita gente oscila entre dois extremos: ou demoniza receitas tradicionais, ou usa a memória afetiva como desculpa para o excesso.
“O problema quase nunca está no ingrediente isolado. Está no excesso, na repetição e na forma como aquela preparação foi construída. O milho, o amendoim e o coco, por exemplo, fazem parte da nossa cultura alimentar e podem ter espaço na rotina. O que pesa, muitas vezes, é o tanto de açúcar, leite condensado, farinha e outras combinações que transformam a receita em uma bomba calórica e glicêmica”, afirma.
A nutricionista destaca que o milho, ingrediente central dessa época do ano, pode aparecer em versões mais simples, como milho cozido e pipoca, ou em preparações mais concentradas, como bolos, curau e canjica, especialmente quando recebem grandes quantidades de açúcar e ingredientes ultraprocessados. O mesmo raciocínio, segundo ela, vale para alimentos como coco e amendoim.
“É importante diferenciar o alimento da receita final. Uma coisa é o ingrediente em seu estado mais natural. Outra é aquilo que ele vira depois de receber açúcar, coberturas, cremes e exageros. Quando a pessoa entende essa diferença, ela consegue aproveitar melhor a festa sem cair na lógica do tudo ou nada”, explica.
As receitas conhecidas pelos brasileiros ganham novas versões com o passar dos anos. Um exemplo é a Pipoca de Torresmo, criada no Rio de Janeiro pela empreendedora Monique Coelho. A combinação inusitada une dois alimentos bastante populares na cultura brasileira e tem despertado a curiosidade do público durante os festejos juninos.

A proposta surgiu a partir da busca por novas experiências gastronômicas dentro de um mercado tradicional. Além da versão de torresmo, o empreendimento também desenvolveu sabores inspirados em outros elementos presentes no imaginário das festas populares, como paçoca, queijo e biscoito.
Segundo Monique, a ideia foi encontrar maneiras diferentes de apresentar um alimento já conhecido pelos brasileiros.
"Desde o começo procuramos criar sabores diferentes porque entendemos que isso nos ajudaria a oferecer uma experiência única para o público. Hoje muitas pessoas já chegam procurando justamente essas novidades."
A repercussão ultrapassou os pontos de venda e alcançou as redes sociais, onde vídeos relacionados a receitas variadas da pipoca ganharam milhares de visualizações. O caso ilustra uma tendência observada nos últimos anos: a valorização de produtos ligados à cultura popular, mas apresentados de forma criativa e adaptados aos novos hábitos de consumo.
Entre memória afetiva, tradição, inovação e alimentação consciente, as festas juninas seguem movimentando não apenas a economia, mas também debates sobre hábitos alimentares, cultura popular e novas formas de consumir receitas que fazem parte da história dos brasileiros.

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Sobre a Pipocas Maná
Reconhecida como patrimônio cultural e imaterial do Rio de Janeiro pela Lei nº 8.230/2023, a Pipocas Maná se tornou conhecida ao unir tradição e inovação na venda de pipocas artesanais. Atualmente, a marca soma mais de 160 mil seguidores nas redes sociais, mais de 8 milhões de visualizações e dezenas de unidades espalhadas pelo estado.
Quem é Bela Clerot?
Isabela Clerot, conhecida como Bela, é nutricionista formada pelo UniCEUB, com pós-graduação lato sensu em Alimentos, Nutrição e Saúde e registro no CRN-DF 17718. Atua com foco em saúde metabólica, prevenção e controle do pré-diabetes e do diabetes tipo 2 por meio da alimentação e da mudança de estilo de vida. Ao longo da sua trajetória, já ajudou milhares de pessoas a melhorar a relação com a comida, entender os efeitos da resistência à insulina e buscar mais controle sobre exames, peso, energia e qualidade de vida.

Criadora de um método próprio e de programas voltados à educação alimentar e ao controle metabólico, Bela se tornou conhecida por abordar temas como glicemia, resistência à insulina, pré-diabetes, diabetes tipo 2 e alimentação de forma prática e acessível. Seu trabalho reúne orientação nutricional, leitura de rotina e esclarecimento sobre hábitos que impactam diretamente a saúde metabólica.











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