Entenda o motivo de pipas feitas com linha de nylon serem inseguras para as crianças
Embora seja um material comum, a alta resistência do fio sintético pode provocar desde lesões superficiais até cortes profundos em estruturas das mãos.
A prática de empinar pipa segue como uma das atividades recreativas mais populares entre o público infantil, mobilizando crianças em quintais e áreas abertas. O brinquedo, muitas vezes confeccionado de forma artesanal com sacolas plásticas ou por profissionais, ganha apelo visual com rabiolas e personalizações de personagens e times. Contudo, especialistas alertam que a escolha dos insumos estruturais, especialmente os fios condutores necessários para fazer o objeto voar, exige atenção redobrada dos familiares para evitar sérios riscos de lesões corporais.
O nylon figura hoje como o tipo de linha mais difundido na dinâmica dessa brincadeira. Apesar da popularidade, o material possui características físicas de alta resistência mecânica que o tornam desaconselhável por profissionais de saúde. Por não se romper facilmente quando tensionado, o fio sintético atua como uma lâmina em contato com superfícies macias, sendo perfeitamente capaz de machucar e lacerar o tecido cutâneo de quem o manuseia ou de terceiros que cruzem a sua rota.
Riscos Anatômicos e Substituição de Materiais
A vulnerabilidade física dos pequenos amplia a gravidade dos acidentes envolvendo linhas inadequadas. “A pele da criança é muito fina, tornando mais arriscado o uso de fios de nylon em pipas. Eles podem causar ferimentos minúsculos que atingem os tendões ou estruturas neurovasculares da mão. Mas é possível evitar esse perigo”, alerta o professor do curso de Enfermagem da Universidade da Amazônia (Unama), Walter Lopes. De acordo com o especialista, a composição sintética do nylon oferece uma resistência superior à da pele humana, o que eleva a probabilidade de ocorrência de cortes profundos.
Para neutralizar os riscos sem interromper o lazer, a recomendação técnica é a substituição imediata dos fios. O uso de linhas feitas de algodão é o mais indicado, uma vez que a textura do material é macia e cede com maior facilidade à pressão, mitigando o risco de machucados graves. O profissional reforça que os pais e responsáveis não precisam proibir a atividade, mas devem intervir diretamente na segurança, garantindo a troca do nylon e combatendo rigorosamente o uso de misturas cortantes como o cerol.
Higienização e Cuidados Pós-Brincadeira
Além do perigo mecânico dos cortes, as condições de higiene durante a atividade representam uma preocupação sanitária. O acúmulo de poeira e sujidades ambientais nas linhas, associado a possíveis fissuras na pele, atua como uma porta de entrada para microrganismos nocivos. “As linhas de pipas raramente estão limpas. Então, se existir um corte e ele não for imediatamente higienizado, o quadro pode evoluir para uma infecção mais séria. Terminou de brincar, lave as mãos com água e sabão”, orienta Walter Lopes.
As lesões não se restringem às mãos, podendo atingir áreas expostas e sensíveis como o pescoço e as pernas, principalmente em acidentes envolvendo ciclistas e pedestres. Os familiares devem realizar uma inspeção detalhada no corpo das crianças após as brincadeiras para identificar qualquer ferida aberta ou fissura oculta. Caso algum ferimento seja detectado, o local deve ser tratado e higienizado prontamente para evitar complicações de saúde.











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