País ganha o primeiro diagnóstico científico sobre a Educação Especial Inclusiva
Pela primeira vez, um dossiê reunirá pesquisadores para avaliar, com base em evidências científicas, os avanços, as lacunas e os desafios das políticas de Educação Especial Inclusiva no país.
Lucelmo Lacerda de Brito é doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), pós-doutor em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e foi pesquisador da University of North Carolina at Chapel Hill ( O Brasil construiu, nas últimas décadas, um dos mais amplos conjuntos de políticas públicas voltadas à educação inclusiva. Leis, decretos, portarias e diretrizes ampliaram o acesso de estudantes com deficiência às escolas brasileiras.
Mas uma pergunta permanece praticamente sem resposta: essas políticas estão produzindo os resultados esperados?
É justamente essa lacuna que um grupo de pesquisadores brasileiros pretende começar a preencher.
Depois de seis meses de trabalho, um grupo de pesquisadores especializados em Educação Especial produziu aquele que será apresentado como o primeiro diagnóstico científico brasileiro dedicado exclusivamente à análise das políticas de Educação Especial Inclusiva, reunindo pesquisas, análises e 12 artigos científicos capazes de orientar gestores públicos, redes de ensino, escolas e profissionais da educação.
O documento será lançado oficialmente no dia 11 de agosto de 2026, durante o Autismo em Pauta, evento que reúne especialistas, pesquisadores, educadores e famílias para discutir os principais desafios do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e da educação inclusiva. O encontro será realizado das 8h30 às 16h30, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP).
O trabalho inaugura também a Revista Educação & Evidência, novo periódico científico brasileiro vinculado à Faculdade APAE Brasil – Dr. Eduardo Barbosa, criado para aproximar a produção acadêmica do cotidiano das redes de ensino e das decisões que impactam milhões de estudantes. "O Brasil avançou muito na produção de políticas públicas para a educação inclusiva, mas ainda produz pouco conhecimento sistematizado capaz de avaliar a efetividade dessas políticas. O dossiê nasce justamente para aproximar evidências científicas das decisões que impactam milhões de estudantes", afirma Lucelmo Lacerda de Brito, doutor em Educação e um dos coordenadores da iniciativa.
Segundo o pesquisador, o objetivo é inaugurar uma nova forma de discutir a inclusão escolar no país. "Precisamos deixar de perguntar apenas se existe inclusão e começar a perguntar se ela está funcionando. O desafio agora não é apenas produzir novas políticas públicas, mas compreender quais delas geram resultados concretos para estudantes, professores, gestores e famílias."
Um instrumento para orientar decisões
Diferentemente de estudos isolados sobre educação inclusiva, o dossiê foi concebido como um instrumento permanente de análise das políticas públicas brasileiras sob a ótica das evidências.
A proposta é aproximar a pesquisa acadêmica das decisões tomadas diariamente por quem planeja, executa e acompanha a educação no país.
O material poderá servir de referência para:
· gestores das redes municipais, estaduais e federal;
· secretarias de Educação;
· escolas públicas e privadas;
· professores da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio;
· coordenadores pedagógicos;
· profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE);
· pesquisadores;
· universidades;
· formuladores de políticas públicas;
· famílias de estudantes público-alvo da Educação Especial;
· Conselhos de Educação;
· Ministério Público;
· órgãos de controle e demais instituições responsáveis pelo acompanhamento das políticas educacionais.
O que será analisado
O primeiro dossiê reúne 12 artigos científicos voltados aos principais desafios da Educação Especial Inclusiva brasileira, entre eles:
· implementação das políticas públicas de educação inclusiva;
· escolarização de estudantes com deficiência em classes comuns;
· salas de recursos multifuncionais;
· classes e escolas especializadas;
· Atendimento Educacional Especializado (AEE);
· formação inicial e continuada de professores;
· práticas pedagógicas baseadas em evidências científicas;
· inovação educacional;
· desafios da implementação das políticas públicas nas redes de ensino.
Da pesquisa para a sala de aula
A Revista Educação & Evidência nasce como um periódico científico digital, de acesso aberto e avaliação por pares (double blind review), com um objetivo claro: fazer com que o conhecimento produzido nas universidades chegue às escolas e retroalimente a produção científica brasileira.
Seu foco é a produção e difusão de pesquisas em educação baseada em evidências. Embora tenha um escopo amplo dentro da área educacional, sua edição inaugural traz como tema central a Educação Especial Inclusiva, reunindo estudos sobre estudantes com deficiência, autismo, salas de recursos, classes e escolas especializadas, formação docente, políticas públicas e práticas pedagógicas fundamentadas em evidências científicas. "A produção científica precisa dialogar com quem está na escola, seja ela especial ou regular. Nosso compromisso é transformar evidências em conhecimento útil para melhorar a prática pedagógica e qualificar as decisões públicas", destaca Lucelmo Lacerda de Brito.
Um momento estratégico para a educação brasileira
O lançamento acontece em um momento de intensa discussão sobre educação inclusiva no Brasil.
Nos últimos meses, o Ministério da Educação publicou a nova regulamentação da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva. Paralelamente, o Congresso Nacional aprovou a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades e Superdotação, ampliando o debate sobre atendimento especializado, formação de professores e permanência escolar.
Na avaliação de Lucelmo Lacerda de Brito, esse cenário torna ainda mais necessária a produção de conhecimento qualificado. "Quanto mais o país produz políticas públicas, maior é a necessidade de avaliá-las. Não existe política pública de qualidade sem monitoramento, sem avaliação e sem evidências."
Para o pesquisador, a produção científica precisa deixar de circular apenas entre especialistas e passar a orientar decisões concretas nas redes de ensino. "Quando conseguimos aproximar ciência, gestão pública e prática pedagógica, quem ganha é o estudante. Este sempre deve ser o centro da política educacional."
Um projeto de longo prazo
O dossiê marca o início de um projeto permanente de produção científica.
A Revista Educação & Evidência publicará artigos em fluxo contínuo e dossiês temáticos organizados por pesquisadores convidados, com o propósito de fortalecer uma cultura de decisões educacionais baseadas em evidências científicas e aproximar pesquisadores, educadores, gestores públicos e famílias.
Mais do que registrar pesquisas, a iniciativa pretende contribuir para a construção de políticas públicas mais eficazes, práticas pedagógicas mais qualificadas e decisões educacionais fundamentadas no que a ciência demonstra produzir melhores resultados.
Lançamento
O dossiê será apresentado oficialmente durante o Autismo em Pauta – Edição Aparecida, um dos principais encontros sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA) do Estado de São Paulo, promovido pela Federação das APAEs do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP). A expectativa é reunir mais de 1.000 participantes, entre profissionais da saúde, educação e assistência social, gestores, pesquisadores, estudantes, familiares e representantes de organizações da sociedade civil.
Além do lançamento do diagnóstico científico, a programação contará com palestras da Prof.ª Dra. Aída Brito, especialista em avaliação no autismo; da palestrante Jéssica Perotta, que abordará estratégias de manejo de crises; e da presidente da FEAPAES-SP, Dra. Cristiany de Castro.
Serviço
Autismo em Pauta – Edição Aparecida
Data: 11 de agosto de 2026
Horário: 8h30 às 16h30
Local: Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida
Endereço: Avenida Júlio Prestes – Aparecida (SP)
Sobre o especialista
Lucelmo Lacerda de Brito é doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), pós-doutor em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e foi pesquisador da University of North Carolina at Chapel Hill (EUA). É uma das principais referências brasileiras em educação inclusiva, políticas educacionais e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Participou da elaboração do Parecer nº 50 do Conselho Nacional de Educação, documento que orienta as diretrizes nacionais para a educação inclusiva de estudantes autistas, e atua na produção e difusão de práticas educacionais baseadas em evidências científicas.












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