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MALAGUETA por Iran de Souza

Seleção Brasileira: pavana para uma defunta

por Iran de Souza

Imagem gerada por IA
Seleção Brasileira: pavana para uma defunta Pavana para uma defunta do futebol: a Seleção Brasileira naufraga e morre no Mar da Noruega

A festa do hexa já era. Acabou antes mesmo de começar. O luminoso céu da pátria virou breu na noite de 5 de julho, domingo.

E a alegria escafedeu-se por completo do coração brasileiro, incluindo o meu.

Sobrou churrasco, cerveja e indignação com uma seleção que, como previra este colunista em texto publicado em 14 de junho, não daria pro caldo no Mundial da Fifa.

Um time tatibitate que, à exceção de Vinicius Júnior, não disse a que veio.

Ora, como reza o velho ditado, uma andorinha só não faz verão.

Recapitulemos a tragédia verde-amarela.

A agora defunta Seleção Brasileira estreou passando perrengue, no empate em 1 x 1 com o Marrocos. Um jogo amarrado, sem brilho e indigno das cinco estrelas que ostenta no peito.

Depois deu uma lapadinha de 3 x 0 no Haiti, uma seleção tão fraca que, convenhamos, não merecia guardar menos de cinco gols na cachola.

Em seguida, o selecionado tupiniquim também deu de 3 x 0 na Escócia, um time quase amador que não deveria ter saído de campo com menos de sete bolas – digo e repito, sete – no fundo da rede.

Na abertura do mata-mata, um Japão disciplinado e bem armado quase levava o jogo para a prorrogação e quiçá para os pênaltis.

Credito a vitória por 2 x 1 menos ao talento e mais ao acaso, que também atende pelo nome de sorte e só faz o que os malvados deuses do futebol mandam e desmandam.

Cá pra nós, a derrota por 2 x 1 para a Noruega foi tragédia anunciada. Desastre confirmado passo a passo.

Primeiro, com Bruno Guimarães batendo um pênalti que até quem não sabe nada de futebol entende que deveria ter sido cobrado por Vini Jr.

Segundo, com a falta de brilho e assertividade de uma equipe medíocre e incapaz de manter o controle da bola e criar jogadas.

Para completar, no segundo tempo Don Carletto ainda põe em campo um bilionário bichado e briguento que não joga bola de verdade faz tempo: Neymar.

Ao contrário de Endrick, como se viu, Ney Caicai não fez a menor diferença. Não deveria nem ter sido convocado!

Aliás, feíssima, vergonhosa a provocação que Neymar fez ao goleiro da Noruega na hora de bater o segundo pênalti.

Coisa de moleque! Postura de bolsonarista raiz, essa gente cujo cartão de visita é não ter postura nenhuma.

E se Neymar Caicedo encerrou o próprio ciclo na seleção, como anunciou após a derrota, tudo o que podemos dizer a ele é que já vai tarde. Por favor, nem pense em voltar, tá? Bye, bye.

Agora, para arrematar a prosa, vamos e convenhamos: se a canoa da seleção virou na Copa do Mundo de 2026 não foi só por força da mediocridade da maioria de seus remadores.

Foi sobretudo por mérito de uma equipe guerreira comandada por um diabo louro chamado Erling Haaland.

Não teve despacho, não teve ebó que desse jeito neste sujeito grandalhão e simpático, humilde até, com cara de menino bobo, mas que de besta não tem nadica de nada.

Todo o meu respeito e admiração por você, Haaland. Você converteu em gols duas das quatro oportunidades que teve contra a apática seleção de Don Carletto.

Antes de encerrar a carreira, por favor, venha jogar uma ou duas temporadas no meu Leão de Antônio Baena, aqui em Belém do Pará.

Se vier, prometo a você e à Nazica que voltarei a frequentar o Mangueirão e o Baenão.

Quanto a Don Carletto, reitero que ainda levo fé neste italiano que sabe muito de futebol, embora também cometa seus erros, como vimos no jogo contra a Noruega. Merece crédito e desconto!

O mister não só pode como deve fazer um bom trabalho para a Copa de 2030. Isto se a CBF deixar, claro.

Como sabe o povo que acompanha o Círio, a entidade máxima do futebol brasileiro também é conhecida por outra sigla: CMJ – Casa da Mãe Joana.

Pois é. Já era. Já foi. Acabou a Copa pra nós da Terra Brasilis. E agora, José? E agora, Maria?

E agora, leitor, o que a sua pessoa vai fazer da amarelinha ou da azulzinha pela qual pagou tão caro?

Bem, como disse Drummond após a tragédia do Maracanã em 1950, quando perdemos a final para o Uruguai:                        

Foi-se a Copa? Não faz mal.

Adeus, chutes e sistemas.

A gente pode, afinal,

cuidar de nossos problemas. 


Então vamos aos fatos, ao que interessa. Afinal, o que não falta é problema para cuidar neste país hexaproblemático chamado Brasil.

Por falar nisso, temos desde já um problemão à vista: as eleições de outubro. Veja lá, hein? Não vá dar uma de Neymar.


Iran de Souza (Irisvaldo Laurindo de Souza) é jornalista, professor universitário, doutor e pós-doutorando em Letras: Literatura. Escreve quinzenalmente no Portal Rede Metrópole.



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