Do malte ao copo: curiosidades sobre a cerveja que muita gente ainda não conhece
Especialistas explicam diferenças entre estilos, ingredientes, temperatura de consumo e detalhes do processo de produção de uma das bebidas mais populares do mundo
Presente em encontros, celebrações e na gastronomia de diferentes culturas, a cerveja está entre as bebidas mais conhecidas do mundo. Apesar da popularidade, o universo cervejeiro ainda reúne uma série de curiosidades e conceitos que costumam gerar dúvidas entre os consumidores.
Afinal, lager e pilsen são a mesma coisa? O que significa uma cerveja ser puro malte? Servir a bebida muito gelada interfere no sabor? E o que acontece desde a escolha dos ingredientes até a cerveja chegar ao copo?
Para o CEO da Cerpa, Jorge Kowalski, conhecer um pouco mais sobre esse processo ajuda o consumidor a perceber características que muitas vezes passam despercebidas. “A cerveja faz parte da cultura, da gastronomia e dos momentos de convivência das pessoas. Mas existe muito conhecimento por trás de cada rótulo. Entender os ingredientes, o processo productive e as características de cada estilo faz com que o consumidor aproveite ainda mais a bebida e perceba detalhes que normalmente passam despercebidos.”
Como nasce uma cerveja?
Embora existam inúmeros estilos e receitas, a produção da cerveja tem como base quatro ingredientes fundamentais: água, malte, lúpulo e levedura.
O malte fornece os açúcares necessários para a fermentação. O lúpulo contribui para o aroma e o amargor, além de desempenhar papel na estabilidade da bebida. A levedura, por sua vez, transforma os açúcares em álcool e gás carbônico durante a fermentação. Ao longo do processo, a bebida passa ainda por etapas como brassagem, fervura, fermentação, maturação, filtração e envase.
Segundo Anderson Alves, gerente industrial da Cerpa, as escolhas feitas ao longo dessas etapas são determinantes para o resultado que chega ao consumidor. “Não existe uma receita única. Pequenas variações nos ingredientes, no tempo de fermentação e na maturação fazem surgir cervejas com características completamente diferentes. É justamente essa diversidade que torna o universo cervejeiro tão interessante.”
Lager e pilsen são a mesma coisa?
Essa é uma das dúvidas mais comuns quando o assunto é cerveja. Embora os dois termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, eles não significam exatamente a mesma coisa.
A lager representa uma grande família de cervejas caracterizada, entre outros aspectos, pelo processo de fermentação em temperaturas mais baixas. Já a pilsen é um estilo pertencente a essa família, geralmente associado a cervejas claras, leves, refrescantes e equilibradas.
Outra curiosidade está na origem do próprio nome. Pilsen faz referência à cidade de Plzeň, conhecida internacionalmente como Pilsen, na atual República Tcheca, onde o estilo surgiu no século XIX. Seu desenvolvimento contou com a participação de mestres cervejeiros alemães e a receita acabou se espalhando por outros países, tornando-se uma das referências mais conhecidas da cultura cervejeira.
“Na Cerpa, por exemplo, boa parte do portfólio é composta por cervejas da família lager, desenvolvidas para atender diferentes perfis de consumidores e ocasiões de consumo”, comenta Anderson Alves.
Puro malte significa mais qualidade?
Outro conceito que ganhou espaço entre os consumidores é o de cerveja puro malte. Mas a expressão não deve ser entendida automaticamente como sinônimo de uma bebida de qualidade superior.
“Nem sempre. A expressão ‘puro malte’ indica que a cerveja foi produzida utilizando apenas malte como fonte de cereais fermentáveis, sem a utilização de adjuntos como milho ou arroz. Isso resulta em características sensoriais específicas, normalmente com maior presença dos sabores provenientes do malte, mas não significa que uma cerveja produzida com outros cereais seja inferior”, explica Kowalski.
Segundo o CEO da Cerpa, a escolha está diretamente relacionada à proposta de cada produto e ao paladar de quem consome. “O importante é entender que cada estilo possui uma proposta. Existem consumidores que preferem cervejas mais leves e refrescantes e outros que valorizam sabores mais intensos. Não existe uma única cerveja ideal, existe aquela que melhor combina com cada ocasião e com o gosto de cada pessoa.”
Existe temperatura certa para beber cerveja?
Servir a cerveja extremamente gelada nem sempre é a melhor forma de aproveitar todas as características da bebida. A temperatura pode interferir diretamente na percepção de aromas e sabores.
“As cervejas mais leves costumam ser servidas entre 2°C e 4°C, enquanto estilos mais encorpados revelam melhor seus aromas e sabores quando consumidos em temperaturas um pouco mais elevadas. Quando a bebida está excessivamente gelada, parte das características sensoriais acaba sendo mascarada”, comenta Kowalski.
Isso explica por que diferentes estilos podem pedir formas distintas de serviço. Quanto mais complexa e aromática for a cerveja, maior pode ser a importância de uma temperatura que permita ao consumidor perceber suas características.
Diferentes estilos para diferentes preferências
As mudanças no comportamento do consumidor também contribuíram para ampliar a variedade disponível no mercado. Hoje, além de escolher uma marca, quem aprecia cerveja encontra opções com diferentes propostas, composições e perfis sensoriais.
Ao longo de sua trajetória, a Cerpa acompanhou esse movimento com a diversificação de seu portfólio. Segundo Anderson Alves, as marcas produzidas pela empresa procuram atender preferências distintas.
“Hoje contamos com um portfólio que contempla diferentes perfis de consumidores. A Cerpa Export é um dos nossos rótulos mais tradicionais e reconhecidos na Região Norte. A Cerpa Prime atende quem busca uma cerveja puro malte. Temos também a Tijuca, que faz parte da história de muitas gerações, a Tijuca Silver, uma cerveja sem glúten, e a Kroland, inspirada na tradição cervejeira alemã. Cada produto tem personalidade própria, mas todos carregam o compromisso da Cerpa com qualidade e inovação.”
Além das cervejas, a companhia vem ampliando sua atuação em outras categorias de bebidas e investindo na modernização da unidade industrial instalada em Belém, com a incorporação de tecnologias e iniciativas voltadas à eficiência dos processos e à sustentabilidade.
Para Kowalski, esse movimento acompanha uma mudança na própria relação das pessoas com aquilo que consomem. “Hoje as pessoas querem saber o que estão consumindo, conhecer ingredientes, processos e histórias. Esse interesse fortalece toda a cultura cervejeira e nos estimula a continuar inovando sem perder a tradição que faz parte da identidade da Cerpa há 60 anos."
Da escolha dos ingredientes à temperatura em que chega ao copo, cada detalhe pode interferir no resultado final. Por trás de uma bebida tão presente no cotidiano existe uma combinação de técnica, história, conhecimento e inovação que ajuda a explicar a diversidade encontrada nas prateleiras e as inúmeras possibilidades dentro do universo cervejeiro.












COMENTÁRIOS