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Dia das Crianças: brincar também é uma forma de desenvolver habilidades

Especialistas explicam como atividades simples podem estimular comunicação, autonomia, interação social e desenvolvimento emocional, inclusive entre crianças neurodivergentes


Dia das Crianças: brincar também é uma forma de desenvolver habilidades
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No Dia das Crianças, brinquedos e brincadeiras costumam ocupar o centro das atenções. Mas, muito além da diversão, brincar é uma das principais formas de a criança experimentar o mundo, desenvolver habilidades e estabelecer relações. Atividades simples do cotidiano podem favorecer aspectos como linguagem, coordenação motora, criatividade, autonomia e interação social, sem que o momento precise se transformar em uma “sessão de terapia”.

Para especialistas, um dos principais desafios para os pais é encontrar o equilíbrio entre estimular o desenvolvimento e permitir que a criança tenha liberdade para brincar de acordo com seus interesses. A preocupação é ainda maior quando se trata de crianças neurodivergentes, que podem apresentar formas diferentes de explorar brinquedos, interagir e se comunicar.

“Brincar é uma das principais formas pelas quais a criança conhece o mundo, expressa emoções, experimenta possibilidades e aprende a se relacionar. Por isso, mais importante do que oferecer muitos brinquedos é garantir tempo e espaço para que ela explore, crie e também conduza a brincadeira. O adulto pode participar, mas sem transformar cada momento em uma atividade com objetivos e cobranças”, explica Thaís Barbisan, psicóloga e neuropsicóloga.

Segundo a especialista, a participação dos adultos pode acontecer de maneira natural. Em vez de determinar o que a criança deve fazer, pais e cuidadores podem observar seus interesses e entrar na brincadeira a partir deles.

“Quando o adulto acompanha aquilo que desperta o interesse da criança, ele cria oportunidades de troca sem necessariamente conduzir tudo. Uma brincadeira de faz de conta, por exemplo, pode estimular criatividade e expressão emocional; um jogo pode trabalhar espera e tolerância à frustração; e uma atividade compartilhada pode favorecer habilidades sociais”, acrescenta Thaís.

Para crianças neurodivergentes, brincar também pode ser adaptado

No caso de crianças autistas ou com outras particularidades do desenvolvimento, a recomendação é evitar comparações e compreender que nem todas irão brincar da mesma maneira.

“A brincadeira pode ser uma grande aliada no desenvolvimento da autonomia, da coordenação motora, da atenção e das habilidades sociais. No caso de crianças autistas, não precisamos exigir que elas brinquem exatamente da mesma maneira que as outras crianças. Podemos partir dos interesses que elas já demonstram e, a partir deles, ampliar gradualmente as possibilidades de interação e participação”, afirma Catiuscia Homem, terapeuta ocupacional especialista em TEA.

A especialista destaca ainda que atividades aparentemente simples podem trabalhar diferentes competências. Brincadeiras de encaixe, por exemplo, podem envolver coordenação motora e resolução de problemas; atividades com movimento podem estimular planejamento motor; enquanto jogos compartilhados podem trabalhar regras, turnos e interação.

“Não existe uma única maneira correta de brincar. O objetivo não deve ser fazer a criança abandonar aquilo que gosta para se adequar ao modelo de brincadeira esperado pelos adultos. Podemos utilizar aquilo que já faz sentido para ela como ponto de partida para ampliar experiências”, orienta Catiuscia.

Brincadeira também é oportunidade para estimular a comunicação

Outro aspecto importante é a linguagem. Para Paula Anderle, fonoaudióloga, os momentos de brincadeira oferecem situações espontâneas para que a criança se comunique, inclusive quando ainda não utiliza a fala como principal forma de expressão.

“A brincadeira cria situações naturais para a criança se comunicar. Nem sempre essa comunicação acontece por meio da fala: um olhar, um gesto, uma troca de objeto ou uma expressão também são formas de interação. Quando o adulto acompanha o interesse da criança e responde ao que ela está tentando comunicar, ele cria oportunidades importantes para o desenvolvimento da linguagem sem transformar o brincar em uma sessão de terapia”, explica.

Paula ressalta que os adultos também podem ampliar a comunicação ao narrar o que está acontecendo, oferecer escolhas e esperar que a criança tenha a oportunidade de responder, sem antecipar todas as suas necessidades.

“Se a criança aponta para um brinquedo, por exemplo, podemos nomeá-lo e criar uma pequena troca, em vez de simplesmente entregar o objeto imediatamente. São pequenas oportunidades de interação que acontecem dentro da rotina e que podem ser muito significativas”, afirma.

Menos cobrança, mais presença

Para as especialistas, o Dia das Crianças pode ser também uma oportunidade para os adultos repensarem a relação com o brincar. Em uma rotina marcada por escola, atividades extracurriculares, telas e compromissos, reservar tempo para brincar livremente pode ser tão importante quanto oferecer brinquedos educativos.

A principal recomendação é que pais e cuidadores estejam presentes, observem os interesses da criança e valorizem suas tentativas de interação, sem transformar cada atividade em uma avaliação de desempenho.

Especialistas:
Thaís Barbisan — psicóloga e neuropsicóloga, com atuação em desenvolvimento infantil e neurodivergência.
Catiuscia Homem — terapeuta ocupacional especialista em TEA e psicopedagoga.
Paula Anderle — fonoaudióloga com atuação voltada ao desenvolvimento da comunicação e linguagem infantil, especialmente em crianças autistas.

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