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Assembleia Legislativa homenageia os 50 anos da Faculdade de Comunicação da UFPA

Sessão solene proposta pelo deputado estadual Dirceu ten caten reuniu discentes, docentes, técnicos e ex-alunos para celebrar o jubileu de ouro da instituição fundada em 1976.


Assembleia Legislativa homenageia os 50 anos da Faculdade de Comunicação da UFPA Foto: Divulgação/Alepa
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​A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) sediou, nesta quinta-feira (28), uma sessão solene em homenagem aos 50 anos de fundação da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal do Pará (UFPA). A iniciativa, proposta pelo deputado estadual Dirceu ten caten, reuniu discentes, docentes, técnicos e ex-alunos no plenário da Casa de Leis. O evento integra o calendário comemorativo do jubileu de ouro da instituição, que teve início em fevereiro com o evento "Narrativas em Curso", no auditório do Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da UFPA. A solenidade alcançou o seu objetivo institucional ao consolidar o reconhecimento público da trajetória da faculdade na formação de comunicadores na Amazônia.

​O ato na Alepa reforçou o papel da Facom/UFPA como polo de resistência intelectual e excelência acadêmica desde a sua criação, em 1976. Durante a cerimônia, os participantes partilharam vivências, relembraram os desafios enfrentados durante o período da ditadura militar e destacaram a evolução dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda.


​Pensamento crítico e diversidade no cenário digital

​O papel das novas gerações frente às transformações tecnológicas e à democratização da informação foi um dos eixos centrais dos pronunciamentos. A professora Marina Castro destacou a necessidade de uma postura analítica por parte dos novos profissionais no ecossistema digital.

"Um papel crítico e tendo a possibilidade de transformar o que nós vivenciamos durante o século 20: uma comunicação monopolista, hegemônica, onde dava poucas aberturas para os demais comunicólogos se colocarem. Então, é fundamental o espaço da diversidade. Nós fazemos uma comunicação diferente daquilo que historicamente foi imposto pelas grandes redes de comunicação. O que nós queremos é pensamento crítico e uma comunicação diversa", afirmou a professora Marina Castro.


​Legado histórico e formação pós-graduada

​A perspectiva histórica da instituição também foi avaliada por integrantes das primeiras turmas. A professora Rosaly Brito, que integrou a terceira turma de Jornalismo da UFPA, relembraram o contexto de implantação do curso sob as diretrizes do regime militar, que buscava a expansão do ensino superior sem a devida infraestrutura.

"O regime militar fez com que surgissem muitos cursos de comunicação no Brasil sem infraestrutura ou professores habilitados. Era uma política para formar jornalistas alienados, que não fizessem a crítica ao regime. Só que o tiro saiu pela culatra. Nós nos insurgimos contra essa situação e fomos à luta para transformar a realidade do curso da UFPA, criado em 1976 e que agora, em 2026, completa 50 anos", contextualizou a docente.

​A professora Rosaly Brito ressaltou ainda o pioneirismo da faculdade, que durante décadas se manteve como a única alternativa pública de formação superior em Jornalismo e Publicidade no Pará e na região amazônica. A docente pontuou que o corpo docente atual é majoritariamente composto por egressos da própria instituição, núcleo que deu base à criação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom), responsável pela formação de novos pesquisadores alinhados à defesa das populações tradicionais da região.

​O movimento estudantil e os desafios atuais na Amazônia

​Essa trajetória de engajamento e contra-hegemonia iniciada na década de 1970 continua a se refletir na atuação dos estudantes contemporâneos da UFPA. Representando a juventude acadêmica e expondo as demandas estruturais e políticas vivenciadas no cotidiano universitário, o presidente do Diretório Acadêmico de Comunicação (Caco), Mark Maia, utilizou a tribuna para destacar a importância histórica do diretório e o atual posicionamento dos discentes frente aos desafios do território paraense.

"Temos que enxergar com olhares atentos que os espaços políticos são um direito de todos, incluindo nós, que produzimos comunicação de dentro de um local que é tão subjugado pelo restante do Brasil. A comunicação está atrelada à democracia; quando se ameaça a comunicação, se fragiliza a democracia. Fazer valer as nossas vozes nesses espaços é garantir que teremos a possibilidade de agir da forma como merecemos, lutando contra a censura, pelo direito à liberdade de imprensa e por tantos outros direitos que nos são negados. Ocupar esses espaços é mostrar o nosso lugar ao sol, e que também temos direito a ele. Uma luta que não acaba no nosso passado e que se estende até o nosso futuro", discursou o líder estudantil.

​Articulação entre o Parlamento e a Academia

​O encerramento da solenidade foi marcado pela definição de encaminhamentos para o fortalecimento da infraestrutura do ensino superior público de comunicação no estado. O proponente da homenagem sinalizou a abertura de canais institucionais para a canalização de demandas orçamentárias.















"Professores, alunos e técnicos puderam falar de suas vivências, da origem do curso e das dificuldades no momento inicial da ditadura. Foi um momento de muitas emoções, mas ficaram alguns apontamentos sobre necessidades de melhoria. Esta Casa pode levar as demandas concretas até o Ministério da Educação e aos deputados federais, que podem alocar emendas parlamentares diretamente na universidade. Nos colocamos à disposição para fazer esse meio-campo, fortalecendo a relação entre academia e parlamento", declarou o deputado estadual Dirceu ten caten.

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