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Estratégia para fortalecer a bioeconomia mobiliza produtores e instituições em Belém

Iniciativa liderada pela Sudam e PNUD foca nos Arranjos Produtivos Locais para impulsionar cadeias da sociobiodiversidade e superar gargalos na Amazônia Legal.


Estratégia para fortalecer a bioeconomia mobiliza produtores e instituições em Belém
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Uma estratégia estruturada para impulsionar os Arranjos Produtivos Locais (APLs) da sociobiodiversidade na Amazônia Legal foi apresentada em Belém (PA). O encontro reuniu representantes do setor produtivo, cooperativas, comunidade acadêmica, gestão pública e organizações da sociedade civil. O plano técnico visa fortalecer cadeias de valor baseadas em ativos florestais e aquícolas — como açaí, cacau, castanha, mel, pesca artesanal, aquicultura e biocosméticos —, transformando-as em vetores de desenvolvimento sustentável regional.

​A iniciativa é coordenada pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) em parceria institucional com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Os APLs funcionam como aglomerações territoriais de produtores e instituições que cooperam em rede para ampliar a competitividade econômica e gerar empregos locais. A cooperação atuará no mapeamento dos arranjos de maior potencial socioambiental e na formulação de soluções para desafios históricos, incluindo entraves logísticos, frágil governança setorial, restrições de crédito, baixa conectividade e escassez de assistência técnica continuada.


Diagnóstico, Escuta Territorial e Desafios

​A apresentação dos parâmetros técnicos marcou o início da segunda fase do projeto, após a conclusão de um diagnóstico analítico elaborado pela empresa de consultoria Cluster Consulting. De acordo com o diretor da firma, Carlos Tarrasón, o foco agora reside em estruturar políticas coordenadas que assegurem benefícios duradouros para as comunidades. “Nosso objetivo é identificar os arranjos produtivos com maior relevância e potencial socioeconômico e ambiental e estruturar estratégias capazes de fortalecer sua governança, ampliar sua competitividade e gerar benefícios duradouros para os territórios”, explicou o consultor.

​O avanço para a fase de escuta e construção coletiva foi avaliado como essencial pelos gestores para alinhar as ações às demandas reais das frentes de trabalho. Para o coordenador-geral de Desenvolvimento Sustentável da Sudam, Henrique Sauma, a integração institucional é o único caminho viável para mitigar as distâncias geográficas e obter resultados práticos. A coordenadora do escritório do PNUD na Amazônia, Kassya Fernandes, corroborou a análise, detalhando que a participação ativa dos produtores rurais garante a assertividade metodológica das ações voltadas à inclusão produtiva e à preservação ecológica.


Demandas por Assistência Técnica e Crédito

​A recepção do projeto por parte das lideranças agrícolas locais evidenciou as reais necessidades operacionais do setor ribeirinho. O professor e produtor de açaí nas ilhas de Abaetetuba, Pedro Paulo Siqueira Furtado, enfatizou que o modelo é oportuno para integrar a cadeia global de consumo à segurança alimentar das famílias locais, mas reiterou que o principal gargalo reside na interrupção constante do suporte técnico nas comunidades. Conforme o produtor, o novo arranjo precisa garantir um acompanhamento agronômico prolongado e contínuo, principalmente nas regiões insulares de difícil acesso.

​A sustentabilidade das organizações associativas também depende de maior flexibilização e capilaridade dos mecanismos de financiamento. Mairna Costa Dias, gestora de sustentabilidade da Federação das Cooperativas da Agricultura Familiar do Baixo Tocantins, pontuou que a aproximação entre bancos e territórios produtivos é urgente para superar travas históricas. “Existem recursos disponíveis, mas muitas vezes as instituições financeiras ainda estão distantes dos territórios. É fundamental que esse processo considere a realidade dos produtores e das cooperativas para que o crédito realmente chegue a quem precisa”, defendeu.

​O cronograma da iniciativa para os próximos meses prevê a estipulação de metas qualitativas, indicadores socioeconômicos e a abertura de uma consulta pública regulamentar para receber contribuições dos nove estados que integram a Amazônia Legal.

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