Publicidade

Por que muitas empresas não conseguem transformar IA em lucro

Após a corrida pela adoção da inteligência artificial, organizações enfrentam uma nova pressão: provar onde a tecnologia realmente gera receita, reduz custos e melhora decisões.


Por que muitas empresas não conseguem transformar IA em lucro Juliana Velozo é executiva com atuação internacional, Senior Vice President of Latin America Market for Retail & Healthcare, palestrante e especialista em estratégia, inteligência artificial e comportamento humano nos negócios
Publicidade

A inteligência artificial deixou de ser um projeto experimental. Nos últimos dois anos, empresas de praticamente todos os setores aceleraram investimentos em ferramentas de IA, criaram programas internos, contrataram especialistas e passaram a incorporar a tecnologia em áreas como marketing, vendas, atendimento, operações e recursos humanos. Mas uma nova pergunta começa a ganhar força nos conselhos de administração e nas reuniões executivas: quanto disso está gerando resultado real?

​A questão marca uma mudança importante no mercado. Se entre 2023 e 2025 a prioridade era testar e adotar inteligência artificial, agora o foco passa a ser outro: justificar investimentos e demonstrar retorno. Segundo Juliana Velozo, executiva com atuação internacional em estratégia, inteligência artificial e transformação de negócios, muitas empresas avançaram na adoção da tecnologia, mas poucas conseguem demonstrar com clareza o impacto gerado no negócio.

"Durante muito tempo a discussão foi sobre implementar IA. Agora a pergunta mudou. Executivos e conselhos querem entender onde ela está gerando receita, reduzindo custos ou melhorando decisões de forma mensurável." — Juliana Velozo.

​O desafio é que muitas organizações ainda medem o sucesso da IA pelos indicadores errados. Número de licenças adquiridas, quantidade de usuários ou projetos implementados nem sempre significam ganho real de performance.

"O erro mais comum é tratar a adoção da tecnologia como resultado. Comprar ferramentas não cria valor por si só. Valor é aquilo que melhora uma decisão, reduz desperdícios, aumenta produtividade ou gera crescimento sustentável" — afirma Juliana.


​O Fim da Fase de Experimentação


​A mudança de mentalidade acompanha uma tendência global. Levantamentos recentes mostram que empresas continuam ampliando investimentos em inteligência artificial, mas a cobrança por retorno financeiro se tornou significativamente maior. A fase da curiosidade está ficando para trás; começa a era da prestação de contas.

​Na prática, isso significa que projetos de IA passam a disputar orçamento com outras iniciativas estratégicas e precisam demonstrar impacto concreto. Para Juliana, a diferença entre empresas que capturam valor e aquelas que apenas acumulam investimentos está menos na tecnologia e mais na capacidade de conectar inteligência artificial a problemas reais de negócio.

"Muitas organizações começam pela ferramenta. As empresas que conseguem capturar valor começam pela decisão que precisam melhorar." — Juliana Velozo.


​O Problema não é Tecnológico


​Outro ponto que chama atenção é que os principais obstáculos raramente são técnicos. Em muitos casos, as barreiras estão relacionadas à cultura organizacional, processos de tomada de decisão, falta de clareza sobre objetivos e dificuldade de integração entre áreas.

"Existe uma crença de que o desafio da IA é tecnológico. Na maioria das vezes, ele é organizacional. A tecnologia evoluiu muito rápido. Nem todas as empresas evoluíram na mesma velocidade." — Juliana Velozo.

​Isso ajuda a explicar por que companhias com acesso às mesmas ferramentas obtêm resultados tão diferentes. Enquanto algumas conseguem acelerar vendas, reduzir custos e aumentar eficiência operacional, outras permanecem presas em ciclos de testes sem impacto significativo.


​A Nova Métrica da Inteligência Artificial


​Para Juliana, a próxima fase da transformação digital será menos sobre adoção e mais sobre geração de valor. O mercado está saindo da pergunta "como implementar IA?" para uma pergunta muito mais relevante: "como transformar inteligência artificial em vantagem competitiva?". Nesse cenário, o diferencial não estará necessariamente em quem utiliza mais tecnologia, mas em quem consegue tomar melhores decisões a partir dela.

"A inteligência artificial tende a se tornar cada vez mais acessível. O que continuará raro será a capacidade de conectar tecnologia, contexto, estratégia e julgamento humano para gerar resultados consistentes." — finaliza Juliana Velozo. 

Publicidade



COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.