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Férias escolares e desregulação no autismo: especialista detalha as seis fases da crise e como agir

Mudanças na rotina e sobrecarga sensorial exigem preparo dos pais; psicóloga explica o funcionamento cerebral e como prevenir o agravamento das crises.


Férias escolares e desregulação no autismo: especialista detalha as seis fases da crise e como agir
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As férias escolares trazem viagens, passeios e alterações na rotina que demandam grande esforço de adaptação do cérebro de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), uma em cada 31 crianças é identificada com TEA. A sobrecarga sensorial e emocional nesse período pode intensificar episódios de desregulação.


​A psicóloga e neurocientista Mayra Gaiato enfatiza a relevância da previsibilidade e do reconhecimento precoce dos sinais: "A maioria das famílias prepara a mala, escolhe o hotel, organiza o roteiro da viagem, mas esquece de preparar a criança para todas essas mudanças. O cérebro autista costuma responder melhor quando sabe o que vai acontecer. Antecipar a programação, respeitar momentos de descanso e reduzir estímulos quando surgem os primeiros sinais pode evitar que uma situação prazerosa termine em uma crise".


Mecanismos neurobiológicos e o ciclo da crise


​Durante uma crise, o cérebro interpreta estímulos intensos ou frustrações como ameaça, ativando o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e liberando adrenalina e cortisol. A amígdala cerebral atua em estado de alerta, enquanto o córtex pré-frontal reduz a capacidade de regulação. Conforme explica Mayra Gaiato, "é justamente por isso que insistir, argumentar ou dar bronca costuma piorar a situação. Naquele momento, o cérebro não está em condição de aprender ou de responder racionalmente. Primeiro precisamos ajudá-lo a sair do estado de alerta para depois ensinar qualquer habilidade".


​A jornalista e mãe atípica Debora Saueressig compartilha que a compreensão do processo alterou sua conduta com o filho Benjamin, de 8 anos: "A minha função era protegê-lo dele mesmo, impedir que se machucasse, impedir que me machucasse e permanecer ao lado dele até que a tempestade passasse". A especialista Mayra Gaiato divide a crise em seis etapas sequenciais para orientar o manejo:


• ​1. Linha de base: Estado de regulação em que o cérebro está apto a aprender novas habilidades.

• ​2. Gatilho: Sinais discretos de sobrecarga (fechar os olhos, balançar o corpo, apertar as mãos) em que a intervenção precoce pode evitar o pico.

• ​3. Aceleração: Aumento dos comportamentos expressivos, como chorar ou gritar, momento em que cobranças devem ser interrompidas.

• ​4. Pico da crise: Foco exclusivo na proteção física e redução de estímulos.

• ​5. Desaceleração e recuperação: Fase de metabolização hormonal em que estímulos precoces podem reencadear o estresse.

• ​6. Retorno à linha de base: Momento adequado para conversar e ensinar alternativas comportamentais.


​BOX DE SERVIÇO


• ​Especialista citada: Mayra Gaiato (Psicóloga, neurocientista e especialista em ABA)

• ​Instituição de referência: Instituto Singular

•  ​5 Erros a evitar durante a crise: 1. Insistir para a criança falar durante a crise; 2. Dar broncas ou aplicar castigos; 3. Fazer muitas perguntas simultâneas; 4. Tentar ensinar o comportamento correto logo após o choro cessar; 5. Ignorar os primeiros sinais de sobrecarga. 

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