Cacique Raoni passa por cirurgia intestinal em São Paulo e segue com boa evolução clínica na UTI
Hospital universitário informa que líder indígena de 94 anos está consciente, afebril e respira sem o auxílio de aparelhos após procedimento cirúrgico.
O líder indígena do povo Kayapó e ativista ambiental de reconhecimento internacional, cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, apresenta uma evolução clínica considerada favorável após passar por uma intervenção cirúrgica de urgência. O procedimento para desobstrução do intestino foi realizado no Hospital São Paulo, unidade ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista. De acordo com o último boletim médico divulgado pela equipe assistencial, o cacique permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) — setor dedicado ao monitoramento contínuo de pacientes —, onde segue consciente e estável.
O indígena havia dado entrada na instituição hospitalar paulista vindo do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, localizado no município de Sinop, no norte do estado de Mato Grosso. A transferência aérea interestadual foi autorizada e realizada com suporte de uma aeronave oficial fornecida pelo governo mato-grossense, após os médicos identificarem a necessidade de cuidados de alta complexidade. O diagnóstico inicial indicava que o paciente sofria com um quadro associado de obstrução intestinal, desidratação e pneumonia aspirativa — tipo de infecção pulmonar causada pela entrada acidental de alimentos, saliva ou líquidos nas vias aéreas.
Técnica Cirúrgica e Resposta do Organismo
A operação cirúrgica para desobstruir o trato digestivo foi executada pela equipe de cirurgia do hospital universitário e coordenada pelo médico Franz Robert Apodaca Torrez, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. “A cirurgia ocorreu sem complicações. No pós-operatório, está sendo acompanhado na Unidade de Terapia Intensiva com boa evolução clínica, afebril e respirando em ar ambiente. Está consciente e respondendo às solicitações”, detalhou a nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa do complexo de saúde.
Os médicos destacam que a cirurgia utilizou uma técnica considerada minimamente invasiva, metodologia que reduz o tamanho dos cortes, diminui o sangramento e acelera o processo de cicatrização do paciente. Por não apresentar febre e conseguir respirar sem a necessidade de ventiladores mecânicos ou máscaras de oxigênio suplementar, o quadro de Raoni é monitorado com otimismo, embora sua idade avançada e a presença de comorbidades prévias — como insuficiência cardíaca e o uso de um aparelho marca-passo implantado em 2022 — exijam vigilância constante.
Mobilização Social e Defesa da Amazônia
A internação e o pós-operatório do líder Kayapó motivaram manifestações de apoio de organizações não governamentais, entidades indigenistas e defensores dos direitos humanos no Brasil e no exterior. O Instituto Raoni, associação representativa que gerencia as comunicações oficiais da família, publicou comunicados em redes sociais para agradecer o carinho do público e as correntes de orações voltadas à plena recuperação da liderança tradicional.
Raoni Metuktire consolidou sua importância histórica na política brasileira a partir da década de 1980, quando liderou comitivas de guerreiros indígenas até Brasília (DF) para pressionar os parlamentares durante a Assembleia Nacional Constituinte. A mobilização foi decisiva para garantir a inclusão do capítulo dos direitos indígenas e o modelo de demarcação de terras tradicionais no texto final da Constituição Federal de 1988. Há mais de três décadas, o cacique atua diretamente como porta-voz global contra o desmatamento ilegal na floresta amazônica e na defesa do Parque Indígena do Xingu.











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